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A Igreja latino-americana reclama maior compromisso social e pastoral contra as redes criminosas de tráfico de pessoas

A carta pastoral denuncia as estruturas criminosas que lucram com a exploração humana e reafirma o papel de uma Igreja samaritana.
30 de julho de 2026 by
A Igreja latino-americana reclama maior compromisso social e pastoral contra as redes criminosas de tráfico de pessoas
Luz Marina Medina Garavito
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A comemoração do Dia Mundial de Luta contra o Tráfico de Pessoas motivou o Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (Celam) e a Confederação Caribenha e Latino-Americana de Religiosas e Religiosos (Clar) a renovar seu chamado para que a Igreja da América Latina e do Caribe fortaleça seu compromisso na prevenção, denúncia e acompanhamento das vítimas deste crime.

O documento recolhe o lema "Atrapados tras la estafa", da campanha das Nações Unidas, para denunciar que por trás do tráfico de pessoas opera uma máquina criminosa que se alimenta da desigualdade, da violência, da pobreza, da corrupção, do deslocamento forçado e das migrações vulnerabilizadas.

Além disso, o comunicado lembra que o tráfico de pessoas é uma grave violação da dignidade humana e uma manifestação contemporânea da escravidão que afeta principalmente mulheres, meninas, meninos, adolescentes, pessoas migrantes e comunidades vulneráveis. "Como Igreja, não podemos permanecer indiferentes diante dessa realidade", expressa o texto.

Uma resposta evangélica e articulada

O Celam e a Clar propõem que o tráfico de pessoas reclama uma resposta evangélica, decidida e profética de toda a Igreja frente a "uma das feridas mais dolorosas e silenciadas do nosso tempo". Assim, retoma o ensinamento do papa Leão XIV, que afirma que este fenômeno só poderá ser superado "mediante uma visão renovada que contemple cada pessoa como um filho amado de Deus".

O comunicado valoriza a articulação pastoral da Rede Clamor, a Comissão de Religiosas Contra o Tráfico da Clar e as redes Talitha Kum na América Latina e no Caribe, que impulsionam ações de prevenção, sensibilização, proteção, denúncia, incidência e acompanhamento às pessoas sobreviventes. Para ambas as instituições, essas redes são expressão de uma "Igreja samaritana" que escuta o clamor das vítimas e enfrenta as estruturas criminosas que comercializam com a vida humana.

Além disso, convidam dioceses, paróquias, congregações e demais comunidades eclesiais a converter esta causa em uma prioridade pastoral, fortalecendo ações de acolhimento, prevenção, formação e acompanhamento em favor das vítimas do tráfico de pessoas.

Um chamado a agir sem indiferença

No trecho final da carta pastoral, o Celam e a Clar enfatizam que o tráfico de pessoas está longe de ser um fenômeno distante: se faz presente nas fronteiras, nos bairros, nas rotas migratórias, nas economias informais e nos ambientes digitais. "Por trás de cada cifra há vidas feridas, sonhos truncados e uma dignidade violentada", alertam, ao renovar o chamado para romper o silêncio, fortalecer a prevenção e acompanhar as vítimas.

O documento encerra com uma convite a toda a Igreja da América Latina e do Caribe a redobrar seu compromisso na luta contra o tráfico de pessoas, acompanhando aqueles que foram vítimas deste crime e fortalecendo ações que salvaguardem a vida e a dignidade humana.


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