Já se cumpre quase um mês do duplo terremoto na Venezuela, uma tragédia que enlutou milhares de pessoas com mais de 5.346 falecidos, 16.740 feridos e 17.907 desabrigados.
Ainda em meio a essas circunstâncias, os bispos ressaltaram a solidariedade incansável de centenas de voluntários, especialmente “a do povo pobre que tem sido, sem dúvida, o principal samaritano”.
“Nos estremece e ensina o heroísmo dos que arriscaram suas vidas para resgatar muitos entre os escombros desde o primeiro minuto da catástrofe, o sacrifício das mães que sustentaram a vida de seus filhos durante longas e angustiantes jornadas”, afirmaram.
Também agradeceram às delegações internacionais, que “nos demonstraram que todos os homens somos irmãos acima de fronteiras e bandeiras. Aí está Deus. Por isso e por outras formas de verdadeira compaixão, bendizemos a Deus”.
Esperança e indignação
Os prelados convidaram todos a compartilhar a dor das vítimas para “levar sempre no coração e na memória o choro dos pais e mães que perderam seus filhos, as lágrimas de tantas crianças órfãs, a angústia dos que buscaram por dias entre os escombros seus entes queridos”.
Convidaram a não perder a esperança, lembrando que “Deus está também em todos os samaritanos que, como Jesus, ajudam os mais necessitados”, mas também pediram firmeza diante das injustiças.
“A reconstrução também nos exige fazer eco da indignação das vítimas dos terremotos que foram negligenciadas pelas instituições públicas. Como dissemos acima, os desastres naturais são imprevisíveis; mas, é obrigação das instâncias do Estado estarem preparadas para enfrentá-los”, apontaram.
Além disso, lembraram que há outras regiões afetadas além do litoral da Guaira. Há perdas humanas e danos materiais consideráveis em algumas áreas de Caracas e nos Estados Aragua, Miranda, Carabobo e Falcón.
“Esta catástrofe natural vem se somar às já difíceis condições sociais, políticas e econômicas em que se desenvolve a vida nacional”, lamentaram.
Baixe o comunicado aqui:
Mensagem Pastoral dos Bispos venezuelanos docx.pdf
Baixe o comunicado aqui:
Mensagem Pastoral dos Bispos venezuelanos docx.pdf
Leitura crente
Os bispos venezuelanos repudiaram as expressões de alguns setores, que “guiados pela superstição e pelo fundamentalismo, afirmaram que os terremotos são um castigo de Deus”.
Essas afirmações são inaceitáveis de todos os pontos de vista, trata-se de uma manipulação porque “os terremotos, assim como outros desastres naturais, são fenômenos que respondem ao caráter mutável do universo e do planeta em que vivemos”.
Embora seja verdade que deve-se fazer uma leitura crente desses acontecimentos para entender o que Deus nos pede a nível pessoal e comunitário, “não é correto atribuí-los a uma vontade superior punitiva”.
Santa Eucaristia pela alma dos falecidos
O Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (Celam), através da Secretaria Geral, se unirá a este chamado, por isso no dia 24 de julho pela manhã celebrará uma eucaristia
Agradeceram ao papa Leão XIV sua proximidade, sempre “muito atento à situação atual” como a todos os episcopados do continente, uma vez que “a solidariedade nasce precisamente quando decidimos não permanecer indiferentes frente ao que acontece em nosso tempo”.
Da mesma forma, convidaram todos os fiéis a participar das celebrações eucarísticas em todo o país no dia 24 de julho, ao completar um mês dos terremotos, pelas almas dos falecidos daquela catástrofe, por todas as demais vítimas e pela pátria inteira.
O Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (Celam), através da Secretaria Geral, se unirá a este chamado, por isso no dia 24 de julho pela manhã celebrará uma eucaristia, presidida por seu secretário adjunto, Eric García.
