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Bolívia: A Igreja de La Paz entra na fase final de seu Sínodo Diocesano: “Fazer de Cristo o coração da nossa Igreja”

O arcebispo de La Paz, Mons. Percy Galván Flores, convocou toda a Igreja paceña para a última etapa do processo sinodal iniciado em 2022. A carta pastoral propõe uma renovação da vida eclesial, cheia de escuta, discernimento, diálogo e participação de todo o Povo de Deus.
15 de agosto de 2026 by
Bolívia: A Igreja de La Paz entra na fase final de seu Sínodo Diocesano: “Fazer de Cristo o coração da nossa Igreja”
Micaela Alejandra Díaz Miranda
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“Fazer de Cristo o coração da nossa Igreja paceña” é o convite que o arcebispo de La Paz, Mons. Percy Galván Flores, dirige a toda a comunidade eclesial ao convocar, por meio de uma carta pastoral, para a última fase do Sínodo Diocesano iniciado em 2022. O chamado abre um tempo de oração e discernimento para recolher o caminho percorrido e avançar em direção a uma renovação da Igreja local.

A carta, titulada “Fazer de Cristo o coração da nossa Igreja”, propõe olhar o processo sinodal como um caminho espiritual e pastoral que permita colocar novamente Jesus Cristo no centro da vida e missão da Arquidiocese. “Não queremos fazer um simples ajuste de atividades pastorais e de estruturas”, aponta o arcebispo, mas “voltar à fonte que é Jesus Cristo”.

Quatro anos de caminho sinodal

O processo iniciado há quatro anos se desenvolveu em quatro etapas: o Ano Introdutório (2022-2023), o Ano Doutrinal (2023-2024), o Ano da Espiritualidade (2024-2025) e, atualmente, as Assembleias Sinodais, correspondentes à quarta e última etapa.

Durante o primeiro ano foram preparados os materiais e elementos que acompanhariam o processo, entre eles o logo, o lema, a oração, a leitura bíblica dos discípulos de Emaús e o ícone de Nossa Senhora da Paz. Também foi proposto um novo modelo de Igreja paceña: “orante, missionária, fraterna, solidária e sinodal”. Os Encontros Paroquiais Sinodais foram preparados para as 60 paróquias da Arquidiocese; começaram em 30 de setembro de 2022 e chegaram a 51 paróquias, além de dois encontros vicariais na área rural.

O Ano Doutrinal permitiu refletir sobre temas de Eclesiologia, Cristologia, Sacramentos, Religiosidade Popular e o Sínodo da Sinodalidade, através de semanas de formação a nível vicarial, paroquial e comunitário.

Oração, celebração, escuta e diálogo

Posteriormente, o Ano da Espiritualidade, iniciado em 23 de agosto de 2024, teve como objetivo que o Povo de Deus assumisse o processo a partir de uma experiência gradual de conversão pessoal. Entre seus frutos, a carta ressalta o fortalecimento da Adoração ao Santíssimo e da Lectio Divina semanal nas paróquias. Foi também um tempo para se perguntar o que se acredita, que espírito move a missão e como se configurar mais com Cristo.

Agora, a fase das Assembleias Sinodais tem como fim recolher todo esse percurso mediante a oração, a celebração, a escuta e o diálogo, para abrir caminho a propostas de renovação e reforma iluminadas pela Palavra de Deus, a Tradição e o Magistério da Igreja.

Curar uma cidade ferida

A convocação ao Sínodo ocorre no contexto de uma cidade que o arcebispo descreve com beleza, diversidade e feridas. A Paz aparece na carta como uma cidade cheia de grandes contrastes, bloqueios, conflitos, polarização, estresse, ansiedade e incerteza.

A esta realidade se somam a precariedade laboral, o trabalho infantil, as dificuldades que enfrentam os idosos, a falta de acesso suficiente à segurança social e saúde, além de fenômenos como a violência, insegurança, alcoolismo, exploração, tráfico e comércio de pessoas, narcotráfico, feminicídio, infanticídio e corrupção.

Em particular, Mons. Galván Flores lembra os recentes bloqueios e suas consequências sobre a população. “É uma ferida que nos debilitou, é preciso curar esta ferida”, escreve. Frente à divisão, propõe a comunhão como caminho de cura: “O ‘outro’ não é um rival, não é um inimigo, não é um oponente, o ‘outro’ é meu irmão”. Neste contexto, a Igreja tem uma tarefa específica: ser sinal e instrumento de unidade.

Igreja que inclui a realidade rural

A carta pastoral também estende seu olhar para as Vicarias Illimani e Yungas, reconhecendo o trabalho cotidiano das comunidades e de quem sustenta a evangelização em territórios onde existem importantes dificuldades pastorais.

Mons. Galván Flores expressa sua gratidão aos sacerdotes, catequistas, missionários e comunidades religiosas que acompanham os fiéis e percorrem longas distâncias, especialmente em lugares onde a Eucaristia é celebrada apenas uma vez por ano e existe um acesso limitado aos sacramentos.

O arcebispo encoraja a continuar promovendo a diversidade de carismas dentro do Povo de Deus e reconhece desafios relacionados às desigualdades econômicas e sociais, educação, meio ambiente, migração, falta de oportunidades trabalhistas e diferenças entre comunidades. Diante dessas realidades, propõe que o Evangelho pode iluminar e transformar a vida dos povos.

Sinodalidade

A carta define o horizonte que a Igreja paceña deve assumir após este processo. O arcebispo aponta que existe uma “urgência de nos renovarmos na missão como uma Igreja Sinodal” e propõe ampliar o espaço da missão da Arquidiocese. Para isso, propõe quatro ações: discernimento, escuta, diálogo e decisões. Este processo, explica, deve permitir repensar uma nova maneira de ser Igreja no contexto atual.

A transformação que propõe não é superficial. “É o momento de ter a coragem e a humildade de reconhecer que a Igreja precisa de transformações estruturais e profundas”, indica. O Sínodo quer ser, além, um fruto da recepção do Concílio Vaticano II e do Documento Final do Sínodo da Sinodalidade de 2024.

Nesta perspectiva, o arcebispo define o Sínodo como “um tempo de graça” e como um encontro com Deus e com os irmãos, no qual o Espírito Santo pode tocar tanto a Igreja quanto a sociedade e suas feridas.

Emaús como chave para compreender o Sínodo

A última etapa está iluminada pelo relato dos discípulos de Emaús: “Não ardia nosso coração quando nos falava no caminho e nos abria as Escrituras?” (Lc 24,32). A partir deste trecho, a carta lembra que sínodo significa “caminhar juntos”, mas lembra que não se trata simplesmente de se reunir entre pessoas com interesses comuns. O que define o caminho sinodal da Igreja é que Cristo mesmo caminha junto ao seu povo.

A Palavra de Deus acompanhou as distintas etapas do processo e permitiu que a Igreja paceña se encontrasse com Jesucristo. A finalidade última, sustenta o arcebispo, é deixar que a Palavra transforme o coração. Daí surge uma segunda chave: “Não ardia nossos corações”. O Sínodo quer renovar de dentro a vocação cristã e reavivar uma fé que, em alguns espaços, se percebe debilitada. Por isso, a última fase não pode se limitar a modificar estruturas: deve permitir que o Senhor volte a “arder nossos corações”.

A terceira chave é o pedido dos discípulos: “Fica conosco”. A Igreja paceña, sinaliza o arcebispo, está convidada a repetir esta oração na fase conclusiva do processo, reconhecendo que Cristo permaneceu junto a ela mesmo nos momentos mais escuros.

Ninguém deve ficar excluído

Diante da fase final, Mons. Percy Galván Flores pede a toda a Igreja paceña intensificar a oração e acompanhar especialmente aqueles que participarão como membros sinodais nas Assembleias.

A carta faz um chamado a não defender apenas esquemas ou ideias pessoais e a abrir-se ao diálogo mesmo com aqueles que pensam diferente. “É um caminho que estamos fazendo juntos, que ninguém fique excluído”, expressa.

Também identifica algumas atitudes que podem ameaçar o processo: o pessimismo, o desânimo, a negatividade, a ideia de que o Sínodo é uma perda de tempo, o “sempre foi assim”, a resistência em sair da zona de conforto, o clericalismo, a mundanidade espiritual e a fofoca. Segundo a carta, essas atitudes deterioram as relações comunitárias e obstaculizam a ação renovadora do Espírito Santo.

Oração, participação e confiança no Espírito

Com a carta pastoral, Mons. Percy Galván Flores, junto com os bispos auxiliares, convoca oficialmente a última fase do processo sinodal e pede que o documento seja lido e comentado em todas as paróquias e comunidades cristãs, especialmente durante as missas dominicais, como sinal de comunhão. Também solicita orar pelos frutos desta etapa e pelos membros das Assembleias Sinodais; pede aos párocos e responsáveis por movimentos que façam chegar os nomes dos delegados conforme solicitado pela Secretaria Geral do Sínodo e, acima de tudo, convida a confiar que o Espírito Santo é “o único protagonista” do processo.

A fase final começará formalmente em 3 de outubro de 2026, com a entrega do Instrumentum Laboris, os decretos de nomeação e a profissão de fé e juramento de fidelidade dos membros sinodais. As Assembleias Sinodais se desenvolverão en sete encontros, distribuídos em duas semanas: de 26 a 29 de outubro e de 4 a 6 de novembro.

A votação do Documento Final e a Missa de Encerramento dos trabalhos sinodais estão previstas para 7 de janeiro de 2027. O dia ocorrerá na Igreja de Santo Domingo para as votações e na Catedral Metropolitana para a Eucaristia. Posteriormente, em 24 de janeiro de 2027, festa de Nossa Senhora da Paz, será realizada a apresentação do Documento Final do Sínodo, a assinatura dos Decretos Sinodais e o início do processo pastoral.

Ao concluir sua carta, o arcebispo encomenda este caminho a Maria, Nossa Senhora da Paz, para que a Igreja paceña possa viver este processo como uma comunidade de discípulos missionários e tornar realidade o convite que atravessa toda a carta: fazer de Cristo o coração da Igreja.

 CARTA-PASTORAL-13-AGOSTO-2026.pdf

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