A unidade, a reconciliação e a esperança marcaram a mensagem de monsenhor Francisco José Múnera Correa, presidente da Conferência Episcopal da Colômbia, durante o momento ecumênico da posse presidencial de Abelardo de la Espriella, celebrada neste 7 de agosto na Arena USC da Universidade Santiago de Cali.
O caráter espiritual da jornada também ficou refletido no cenário da posse, onde uma imagem de a Virgem de Fátima acompanhou a cerimônia de um altar disposto junto ao palco principal. Este sinal de tradição católica se somou ao momento ecumênico que reuniu representantes de diferentes confissões de fé.
Durante sua intervenção, o também arcebispo de Cartagena desejou “bem-estar e bênçãos” ao presidente Abelardo de la Espriella e ao vice-presidente José Manuel Restrepo, ao mesmo tempo em que chamou a orientar o novo período de governo pela justiça, pela paz e pela verdade.
Neste contexto, monsenhor Múnera evocou o Salmo 84 para invocar que “o amor e a verdade se encontrem, a justiça e a paz se abracem”, como horizonte para a Colômbia.
Unidade como harmonia e reconhecimento
O primeiro anseio expresso por monsenhor Múnera foi fortalecer “a unidade da nação”, que, precisou, “não significa uniformidade, mas harmonia”. Para a Colômbia, planteou o desafio de construir “uma sinfonia de relações”, desde o reconhecimento de quem pensa diferente e a certeza de que “o futuro se constrói integrando”.
Além disso, afirmou que a Colômbia precisa do compromisso de todos para avançar em direção a “um desenvolvimento verdadeiramente humano e integral”, no qual “ninguém se sinta excluído nem discriminado”. Para isso, insistiu em reconhecer e valorizar a contribuição que cada pessoa faz a partir de sua própria vocação e responsabilidade.
Paz, reconciliação e compromisso cidadão
O segundo anseio planteado por monsenhor Múnera esteve relacionado com a reconciliação e a paz, “um dos maiores anseios da Colômbia”. Estas, observou, “florescem” quando se cultivam “a verdade, a justiça, o perdão e a solidariedade”, diminuem as desigualdades, a corrupção dá lugar à transparência e “a violência deixa de ser uma linguagem”.
Para o presidente do episcopado, este caminho exige “cidadãos responsáveis, instituições sólidas e governantes capazes de ouvir, dialogar e decidir pensando nas gerações presentes e futuras”.
Ao se referir aos mais vulneráveis, monsenhor Múnera lembrou que “os pobres quase sempre são vítimas, não culpados” e disse que a grandeza de um governante também é medida pelo seu compromisso com “os fracos, os vulneráveis e os abandonados da sociedade”.
Finalmente, o arcebispo chamou a assumir a construção da Colômbia como “uma tarefa compartilhada” entre as instituições e os diversos setores da sociedade. Retomando o chamado do Papa Leão XIV em sua encíclica Magnifica Humanitas, apontou como caminhos para esse propósito a promoção da dignidade humana, a coesão das comunidades, o cuidado da casa comum e o bem de todos.
DISCURSO DO PRESIDENTE DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL DA COLÔMBIA NA POSSE DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA.pdf
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