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“Juventudes errantes, fazendo pontes em toda fronteira”: Rede de Pastoral Juvenil fortalece uma Igreja sinodal e missionária

Ao concluir seu XVIII Encontro na República Dominicana, a Rede Latino-Americana e Caribenha de Centros e Institutos de Pastoral Juvenil (REDLACIPJ) incentivou a fortalecer uma Igreja jovem, sinodal e missionária, capaz de derrubar muros e construir pontes frente aos desafios que vivem as juventudes do continente.
20 de julho de 2026 by
“Juventudes errantes, fazendo pontes em toda fronteira”: Rede de Pastoral Juvenil fortalece uma Igreja sinodal e missionária
Micaela Alejandra Díaz Miranda
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Com uma convite a seguir caminhando juntos ao serviço das juventudes da América Latina e do Caribe, a Rede Latino-Americana e Caribenha de Centros e Institutos de Pastoral Juvenil (REDLACIPJ) concluiu seu XVIII Encontro, realizado de 12 a 18 de julho de 2026 em Santo Domingo, República Dominicana.

Através de uma carta fraterna intitulada “Juventudes errantes, fazendo pontes em toda fronteira”, os participantes expressaram sua gratidão pelo caminho compartilhado e renovaram seu compromisso de fortalecer uma pastoral juvenil inspirada na sinodalidade, no protagonismo juvenil e na construção de comunidades mais inclusivas.

Nossa vocação não é levantar muros, mas construir pontes”, manifestaram, ao resumir o espírito que marcou os dias de reflexão, discernimento e diálogo.

Caminho sinodal de escuta e discernimento

Durante o encontro, representantes de centros e institutos de diversos países compartilharam experiências, desafios e esperanças em torno do trabalho pastoral com adolescentes e jovens. O processo metodológico se desenvolveu a partir de tres momentos: “tocar a vida”, contemplando as realidades concretas de as juventudes; “iluminar a vida”, à luz do Evangelho e do magistério da Igreja; e “incidir na vida”, discernindo orientações para os próximos anos.

A Rede sustentou que este processo foi realizado mediante a metodologia da Conversa no Espírito, um dos pilares do caminho sinodal promovido pela Igreja universal.

Segundo expressaram, esta experiência permitiu reconhecer a necessidade de construir pontes entre as juventudes e suas comunidades, entre gerações, entre a fé e a vida, entre as periferias e as paróquias, assim como entre os processos locais, nacionais e continentais de pastoral juvenil.

Os jovens como sujeitos da vida eclesial

A carta retoma a opção preferencial pelos jovens assumida pela Igreja latino-americana desde a Conferência de Puebla e lembra que os jovens não devem ser considerados apenas destinatários da ação pastoral. “Significa reconhecer os e as jovens como sujeitos eclesiais, ouvir suas vozes, valorizar suas experiências e confiar-lhes responsabilidades”, aponta o documento.

A Rede insistiu na importância de fortalecer grupos juvenis em paróquias, escolas, universidades e comunidades, entendidos como espaços de pertencimento, amizade, formação, missão e encontro com Jesus Cristo: “Nenhum adolescente ou jovem deve se sentir visitante ou estrangeiro em sua própria comunidade eclesial”.

Além disso, ressaltaram que as juventudes precisam experimentar que fazem parte ativa da Igreja e que seus dons são indispensáveis para a construção de comunidades “mais fraternas, sinodais e missionárias”.

A Civilização do Amor continua sendo horizonte

Os participantes reafirmaram a validade dos documentos Sim à Civilização do Amor (1987), Civilização do Amor: Tarefa e Esperança (1995) e Civilização do Amor: Projeto e Missão (2012), considerados pilares da identidade da Pastoral Juvenil Latino-Americana.

Segundo a carta, esses textos lembram que a pastoral juvenil acompanha as juventudes para que descubram e sigam a Jesus Cristo, integrem a fé com a vida e se tornem protagonistas da transformação social.

Construir a Civilização do Amor não significa fugir da realidade, mas entrar nela com o olhar misericordioso de Jesus”, expressaram. Nesse sentido, invitaram a transformar os muros da exclusão, da indiferença e da fragmentação em pontes de fraternidade, justiça, participação e comunhão.

Fronteiras que desafiam as juventudes

Durante o encontro, a REDLACIPJ refletiu sobre diversas realidades que atravessam atualmente a vida de adolescentes e jovens no continente. Entre elas identificaram a mobilidade humana e as migrações, a saúde mental, a construção da identidade, a afetividade, a sexualidade, a vocação, o projeto de vida, o continente digital, as feridas históricas e sociais que afetam os povos, assim como a realidade das mulheres como fronteira social e eclesial.

Diante desses desafios, os participantes discerniram critérios inspirados na hospitalidade, na fraternidade universal, na reconciliação, na dignidade humana, a escuta empática, a acolhida sem preconceitos e o protagonismo juvenil e feminino.

Também manifestaram o desejo de promover comunidades seguras para adolescentes e jovens, fortalecer a formação de agentes pastorais e lideranças juvenis, impulsionar o pensamento crítico nos ambientes digitais e acompanhar integralmente os processos vocacionais e de construção de identidade.

Rede a serviço da Igreja

A REDLACIPJ sustentou que sua razão de ser consiste em servir à Pastoral Juvenil Latino-Americana e Caribenha a partir da comunhão eclesial: “Não nos compreendemos à margem da Igreja nem como uma estrutura paralela à Pastoral Juvenil”.

Expressaram sua disposição para colaborar com conferências episcopais, dioceses, paróquias, movimentos, congregações e equipes nacionais de pastoral juvenil por meio de processos de formação, pesquisa, acompanhamento e reflexão teológico-pastoral.

Ao mesmo tempo, reconheceram que a riqueza da pastoral juvenil nasce da experiência das comunidades e dos jovens que anunciam o Evangelho a partir de seus próprios contextos. “Nenhuma instituição pode responder sozinha aos desafios do presente”, alerta a carta, ressaltando que a lógica da rede permite que os diferentes dons se transformem em uma força capaz de servir melhor às juventudes.

Inspirados por Francisco e Leão XIV

A carta conclui evocando a memória agradecida do Papa Francisco, especialmente a través de Christus Vivit, onde lembrou que Cristo vive e quer vivos os jovens, protagonistas da vida da Igreja e da transformação do mundo.

Os participantes acolheram com esperança o convite do Papa Leão XIV para que os jovens aprendam a “ser humanos como é Cristo”, cultivando uma humanidade marcada pela compaixão, a justiça, o encontro e o serviço.

A REDLACIPJ renovou seu compromisso de continuar acompanhando as juventudes do continente e chamou a construir uma Igreja que “ouve antes de responder, acompanha antes de julgar e reconhece em cada jovem um verdadeiro protagonista da vida eclesial e da transformação da sociedade”.

Com a visão voltada para o futuro, os participantes pediram ao Espírito Santo a audácia necessária para “derrubar os muros que separam e construir os pontes por onde possam transitar as esperanças, as perguntas, as buscas e os sonhos de nossas juventudes”.

Carta fraterna de la Red Latinoamericana y Caribeña de Centros e Institutos de Pastoral Juvenil.pdf

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