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Monsenhor Henry Ruiz revela como a Igreja em Honduras mantém viva a luta de Juan López

A Igreja acompanha comunidades ameaçadas pela violência, defende seus direitos e transforma a memória de Juan López em uma exigência de justiça.
15 de setembro de 2026 by
Monsenhor Henry Ruiz revela como a Igreja em Honduras mantém viva a luta de Juan López
Luz Marina Medina Garavito
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No âmbito da campanha #AlgoMudou, impulsionada pelo Celam, monsenhor Henry Ruiz, bispo de Trujillo, Honduras, falou com ADN Celam sobre a resposta da Igreja diante de comunidades afetadas pela violência e sobre o legado de Juan López, líder ambiental assassinado em 2024, que mantém viva a defesa da vida, da justiça e do território.

Ouvir as comunidades é, para monsenhor Ruiz, o ponto de partida do acompanhamento pastoral. “Em primeiro lugar, ouvi-los e depois com eles buscar também aquelas necessidades mais urgentes que podem ter”, afirmou, ao sublinhar a importância de conhecer seus medos, clamores e necessidades para acompanhá-los na defesa de seus direitos e sua dignidade.

Ouvir, acompanhar e fazer presença

Diante das ameaças, a Igreja busca que as comunidades tenham ferramentas para se defender e proteger sua dignidade. Por isso, o acompanhamento inclui orientação sobre seus direitos, conhecimento das leis e articulação com organizações sociais e de direitos humanos.

Estar junto às comunidades, especialmente nos momentos de maior tensão, é outra forma de acompanhar. Cabildos abertos, manifestações públicas e outras ações de defesa se tornam espaços onde a Igreja torna visível sua solidariedade. “Que os faça sentir que não estão sozinhos, que o Senhor está com eles, que o Senhor está ao seu lado”, explicou o bispo.

A oração e a celebração da Eucaristia fazem parte deste acompanhamento, mas também o apoio às condições que permitem às comunidades sustentar sua vida e organização. Desde a pastoral social, explicou o bispo, se respaldam seus processos produtivos, entre eles o plantio de milho e feijão.

Juan López: fé que se torna compromisso

O testemunho de Juan López reflete, para o prelado, uma fé capaz de sair dos espaços religiosos para se comprometer com a realidade. “Reconhecemos que Juan López era um homem que havia conseguido unir duas coisas, a fé e a vida”, afirmou.

Para o bispo de Trujillo, essa profunda união entre fé e vida se refletiu no compromisso de Juan com a defesa da água, das florestas e do meio ambiente. “Seu compromisso pela vida, pela água, pela floresta, pelo meio ambiente é um compromisso que vinha de Jesus Cristo, do Evangelho”, lembrou.

Em Juan López, monsenhor Ruiz reconhece uma forma de exercer o compromisso cristão a partir da escuta e do diálogo, sem perder a firmeza para defender a verdade. “Este legado maravilhoso de coragem, de escuta, de uma capacidade de poder dialogar com todos, mas no meio de tudo dizer sempre a verdade”, expressou.

Memória que exige justiça

A memória de Juan López se projeta também através do prêmio que leva seu nome, criado pela Conferência Episcopal e pela Universidade Católica de Honduras para reconhecer o compromisso cristão com a justiça e os mais vulneráveis. Mais do que uma homenagem, explicou monsenhor Ruiz, a iniciativa busca manter vigente a exigência de justiça para Juan e para todos os defensores da vida, do meio ambiente e dos direitos humanos.

A exigência de justiça também se mantém ativa no âmbito judicial. A diocese, as paróquias e as comunidades acompanham as audiências com sua presença nos tribunais e por meio de pronunciamentos públicos. “Há uma presença das comunidades, das paróquias, dos povos para se fazer presente diante dos tribunais e fazer uma manifestação pública de exigência de justiça para que isso não fique invisibilizado”, explicou monsenhor Ruiz.

A memória de Juan López também se preserva através de iniciativas que recuperam seu pensamento e sua escrita. Em espaços como “Café com Juan” se compartilham seus poemas e textos sobre o Evangelho e a realidade hondurenha. A este esforço se soma o trabalho conjunto com a Universidade Católica de Honduras para coletar e publicar parte de seu legado escrito.

Para monsenhor Ruiz, a exigência de justiça por Juan López transcende seu assassinato e alcança também a defesa do Parque Nacional Carlos Escaleras Mejía e de quem protege o território. Seu legado, apontou, se mantém como uma causa coletiva em favor da vida, da dignidade, da justiça e da defesa do meio ambiente.




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