O cuidado da Casa Comum deve renovar seu lugar na agenda da Igreja, afirmou monsenhor Gustavo Rodríguez Vega, presidente da Rede Eclesial Ecológica Mesoamericana (Remam) e da Cáritas América Latina, de cara à XI Jornada Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, que será celebrada no dia 1 de setembro.
Rodríguez Vega, em diálogo com a ADN Celam, lembrou que a Jornada do dia 1 de setembro dará início ao Tempo da Criação, que se estenderá até o dia 4 de outubro, festa de São Francisco de Assis. “Nos preparamos para celebrar este primeiro de setembro o dia de toda a criação, do cuidado da criação”, sustentou.
O também arcebispo de Yucatán destacou o impulso que Leão XIV está dando ao cuidado integral da criação, em continuidade com o legado do Papa Francisco. Ele apontou que este caminho inclui chamados à conversão ecológica e o fortalecimento de uma espiritualidade baseada na paz e na esperança.


Foto: Mongabay
Uma rede eclesial frente aos desafios socioambientais
A Remam articula desde 2019 os esforços da Igreja na Mesoamérica para promover o cuidado da Casa Comum. Seu trabalho reúne processos do México, Guatemala, Honduras, El Salvador, Nicarágua, Costa Rica, Panamá e Belize e busca fortalecer uma resposta conjunta diante dos desafios socioambientais da região.
O dirigente sublinhou que o cuidado da criação deve andar de mãos dadas com a defesa da dignidade humana e a atenção aos mais pobres. Também destacou a aprovação da missa Pro Custodia Creationis, que incorpora na liturgia “a admiração e a gratidão pela obra de Deus”.
A defesa da Casa Comum, afirmou Rodríguez Vega, não deve se limitar ao âmbito eclesial. Por isso, convidou aqueles que compartilham essa preocupação a unir esforços: “Se há outros irmãos fora da nossa igreja que queiram se preocupar com esse cuidado integral, sejam bem-vindos”.


Foto: CambioIn
Leão XIV vincula as feridas da guerra com o deterioro ambiental
Cabe lembrar que o Papa Leão XIV vincula em sua mensagem para a Jornada de 2026 as consequências das guerras com o deterioro da criação. Sob o lema “Com suas espadas forjarão arados e podadeiras com suas lanças” (Is 2,4), alerta que os conflitos provocam “uma destruição social e ecológica que perdura por gerações” e agravam a pobreza.
Diante dessas crises, o Pontífice chama a uma conversão interior capaz de transformar as relações humanas e o vínculo com a criação. “A autêntica conversão ecológica” implica, segundo o Papa, colocar os recursos a serviço dos pobres, os famintos e a proteção da natureza. Sua mensagem propõe assim avançar “do deserto para o jardim, da divisão à comunhão e da violência à paz”.
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