A Conferência dos Religiosos e Religiosas do Paraguai (Conferpar) manifestou sua “profundo dor, consternação e indignação” diante dos graves acontecimentos ocorridos em 14 de agosto na comunidade Ava Guaraní Tekoha Y’apo, em Corpus Christi, Canindeyú, onde perderam a vida o líder indígena Antonio Carrillo e o professor Catalino Correa.
Conferpar expressou sua solidariedade com as famílias das vítimas e com toda a comunidade Ava Guaraní Tekoha Y’apo, que atravessa um cenário de “luto, angústia e incerteza”. A organização contextualizou os fatos em um cenário de conflitualidade em torno do território, da dignidade e dos direitos dos povos indígenas.
Defesa da vida e do território
Com décadas de acompanhamento a comunidades indígenas no Paraguai, Conferpar afirmou que não pode permanecer indiferente diante de seu sofrimento. A organização reiterou que sua vida, dignidade, territórios, culturas e direitos “devem ser respeitados e protegidos pelo Estado e por toda a sociedade”.
O organismo eclesial advertiu sobre a situação de quem defende seus territórios e direitos em meio ao medo, à insegurança e à violência. Diante disso, apoiou o clamor de Tekoha Y’apo por “presença do Estado, escuta e respostas das autoridades competentes”.
Diante da perda violenta de dois membros da comunidade, a Conferpar sustentou que Tekoha Y’apo tem o direito de ser ouvida, protegida e acompanhada, assim como de conhecer a verdade do que aconteceu. A organização insistiu que o Estado “não pode chegar somente depois da violência”, mas deve preveni-la e garantir efetivamente os direitos.
Investigação e prevenção
A Igreja exigiu uma investigação “séria, independente, exaustiva e transparente” que permita esclarecer o ocorrido e determinar as responsabilidades correspondentes. Diante das diferentes versões conhecidas, pediu ao Ministério Público "atuar com celeridade e imparcialidade, garantindo o devido processo e a dignidade de todas as pessoas envolvidas".
A organização alertou que qualquer falta de esclarecimento ou uma resposta institucional insuficiente poderia agravar as feridas da comunidade e aprofundar a desconfiança nas instituições encarregadas de garantir sua proteção.
Pediu às instituições estatais que reforcem a proteção da comunidade, prevenir novos atos de violência e garantir o cumprimento dos direitos indígenas reconhecidos tanto pela Constituição paraguaia quanto pelos compromissos internacionais assumidos pelo país.
Paz com verdade, justiça e direitos
A vida religiosa sublinhou que o que ocorreu não pode ser analisado como um fato isolado, diante de uma realidade em que numerosas comunidades indígenas continuam lutando pelo reconhecimento de seus direitos. “Não podemos nos acostumar a que os conflitos relacionados à terra e ao território terminem cobrando vidas humanas”, apontou.
Conferpar lembrou que a paz “não pode” se reduzir à ausência de confrontos e que requer verdade, justiça, dignidade e direitos. Após orar por Antonio Carrillo e Catalino Correa, renovou seu compromisso de acompanhar os povos indígenas e defender seu direito à vida, à terra, ao território, à cultura, à justiça e à paz.
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