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Delegados ecumênicos na Bolívia incentivam a vivência da unidade cristã no dia a dia

O Encontro Nacional de Delegados de Ecumenismo reuniu em Cochabamba representantes de diferentes jurisdições eclesiásticas para revisar seu trabalho pastoral, fortalecer a formação e buscar novos caminhos de diálogo, com especial atenção aos jovens.
12 de setembro de 2026 by
Delegados ecumênicos na Bolívia incentivam a vivência da unidade cristã no dia a dia
Micaela Alejandra Díaz Miranda
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A unidade cristã constituiu o pilar do Encontro Nacional de Delegados de Ecumenismo, que ocorreu de 8 a 11 de setembro em Cochabamba, Bolívia, com a participação de representantes de diferentes jurisdições eclesiásticas do país. O espaço combinou formação, oração, intercâmbio de experiências e revisão da tarefa ecumênica nas comunidades.

O encontro foi inaugurado com uma Eucaristia presidida por dom Luis Durán, bispo auxiliar de La Paz e responsável pela Seção de Ecumenismo da Área de Evangelização da Conferência Episcopal Boliviana. Durante a celebração, o prelado falou sobre o valor do diálogo fraterno e da unidade dos crentes como ponto de partida para o trabalho pastoral.

A jornada reuniu delegados de jurisdições como La Paz, Potosí, Santa Cruz, Cochabamba, o Obispado Castrense, os vicariatos apostólicos de Camiri e Ñuflo de Chávez, a Prelatura de Aiquile e a Diocese de Oruro. O programa teve como propósito articular as experiências locais com as orientações de Igreja universal e de organismos ecumênicos.

Formação para o diálogo

Um dos primeiros temas abordados foi o papel do Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos e a aplicação do Diretório para a aplicação dos princípios e normas sobre o ecumenismo. O padre Manuel Hurtado, presidente da Faculdade de Teologia São Paulo da Universidade Católica Boliviana, apresentou a natureza e trajetória do organismo da Santa Sé e explicou alguns critérios do Diretório Ecumênico de 1993.

Entre os aspectos abordados estiveram as orientações para a admissão de batizados, os casamentos mistos e as celebrações de oração ecumênica. O sacerdote também convidou os delegados a revisar a situação de suas próprias comissões, fortalecer suas equipes e contar com o acompanhamento de seus bispos.

A formação incluiu também uma aproximação ao Conselho Mundial de Igrejas e ao Conselho Latinoamericano de Igrejas, apresentado pela religiosa Eileen Briedge FitzGerald, da Congregação de Esclavas do Sagrado Coração de Jesus. A expositora explicou a história, estrutura e relevância de ambas as instâncias para o movimento ecumênico. Lembrou que a Igreja Católica não faz parte como membro oficial do Conselho Mundial de Igrejas nem do Conselho Latino-americano de Igrejas, embora mantenha espaços de colaboração e participação, especialmente em comissões teológicas e como observadora em assembleias.

Unidade na diversidade

Um dos planteamentos que atravessou as jornadas foi compreender a unidade cristã como comunhão na diversidade, e não como uniformidade. Nesse sentido, os participantes refletiram sobre a necessidade de superar barreiras históricas entre as diferentes confissões cristãs e construir espaços de cooperação, oração e diálogo.

Os relatórios apresentados pelas delegações permitiram compartilhar experiências desenvolvidas durante a gestão 2025-2026. Entre elas foram mencionadas a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, os círculos de oração mensais e diversas iniciativas culturais e pastorais voltadas a promover a paz e a fraternidade.

Também foi ressaltado o trabalho de sensibilização e formação dirigido a catequistas e agentes pastorais, assim como a elaboração e distribuição de materiais litúrgicos relacionados com a unidade. Os delegados identificaram, ao mesmo tempo, a falta de conhecimento sobre o ecumenismo em alguns espaços paroquiais como um dos desafios que ainda devem enfrentar.

As delegações compartilharam experiências de aproximação a comunidades bahá’ís, budistas, muçulmanas, siques e outras expressões espirituais, a partir de valores compartilhados como a paz, a justiça e a misericórdia. Também foram apontadas iniciativas desenvolvidas junto com instituições acadêmicas e organismos internacionais em âmbitos sociais e comunitários.

Os jovens, protagonistas da unidade

A participação das novas gerações ocupou um lugar especial no encontro. O pai Juan Ciro Villafuerte, pároco de Nossa Senhora de La Paz em Tiquipaya, afirmou que o ecumenismo requer passar da reflexão teórica para experiências concretas nas comunidades: “O trabalho ecumênico deverá ser realizado e colocado em prática, mas para isso ainda é necessário muita formação e preparação”.

O sacerdote identificou quatro aspectos necessários para avançar nesta tarefa: maturidade eclesial e sacerdotal, formação e capacitação, testemunho da verdade na caridade e uma pedagogia adequada para comunicar o valor da unidade às novas gerações.

Pediu reconhecer aos jovens como construtores de unidade e pontes na sociedade, oferecendo-lhes espaços reais de participação e liderança. A proposta esteve vinculada à oração de Jesus registrada no Evangelho de João: “Que todos sejam um” (Jo 17,21).

Identidade que se abre ao encontro

Durante a segunda jornada, monsenhor Luis Durán também convidou os delegados a partir de uma identidade católica clara antes de iniciar o diálogo com outras comunidades cristãs. “É importante estar bem seguros; primeiro convencer-se de si mesmo e dizer: ‘Eu sou cristão católico, estou batizado’”, ressaltou durante a homilia.

O bispo relacionou essa identidade com uma vivência cotidiana do Evangelho e com o mandato cristão de amar até mesmo os inimigos e fazer o bem sem esperar recompensa. Nessa linha, lembrou que as obras de misericórdia devem ser realizadas a partir do amor e não da busca por benefícios.

Para Dom Durán, o caminho ecumênico requer também conhecer e seguir as orientações da Igreja e trabalhar de maneira coordenada em favor das pessoas mais necessitadas, fazendo do diálogo e da fraternidade uma expressão concreta da fé.

Fraternidade Cristã

Ao concluir as jornadas, os delegados avaliaram o trabalho realizado e apontaram alguns desafios para os próximos anos. Entre eles estão ampliar a formação ecumênica a partir dos espaços escolares e paroquiais, fortalecer as redes juvenis e aproveitar melhor os meios de comunicação para difundir uma cultura de unidade e paz.

Também reconheceram dificuldades relacionadas com a falta de abertura em alguns setores e com as particularidades de contextos rurais e mineradores. Frente a isso, propuseram manter abertos os espaços de diálogo e cooperação.

O encontro concluiu com a formulação de compromissos por jurisdição, uma avaliação geral e o planejamento do próximo encontro nacional, previsto para 2027. A experiência deixou como horizonte uma tarefa que, para os participantes, não se limita a atividades pontuais, e busquem formar comunidades capazes de viver a fraternidade cristã em meio à diversidade.

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