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Webinário: Boas práticas pastorais mostram como a Igreja pode defender direitos, integrar e sustentar a esperança migrante

A escuta, as alianças entre a Igreja e a sociedade civil e a formação pastoral aparecem como ferramentas para responder a contextos de crescente vulnerabilidade migratória.
29 de agosto de 2026 by
Webinário: Boas práticas pastorais mostram como a Igreja pode defender direitos, integrar e sustentar a esperança migrante
Luz Marina Medina Garavito
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Diante das novas realidades da mobilidade humana, a Igreja é chamada não apenas a acolher, mas também a acompanhar, defender direitos e abrir caminhos de integração. Este olhar atravessou as intervenções de Amaya Valcárcel, Álvaro Botero e Alessandra Santopadre no encerramento da série de webinários “A mobilidade humana e os direitos humanos: um olhar a partir da esperança”.

O encontro, intitulado “Uma voz renovadora: boas práticas pastorais da Igreja na defesa dos direitos humanos das pessoas migrantes”, reuniu experiências de diferentes contextos de mobilidade humana no México, Camboja, Panamá e Canadá, destacando o acompanhamento pastoral e a defesa de direitos.

Este espaço do webinário foi organizado pelo Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (Celam) através da Rede Clamor, o Observatório de Mobilidade Humana da América Central (Osmeca), o Instituto Hopeborder, o Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral e a Arquidiocese de Montreal (Canadá). Gerardo Cruz, da Osmeca e Rede Clamor, moderou a conversa.


Permanecer junto a quem espera

A espera como uma nova etapa da mobilidade humana foi um dos eixos levantados por Amaya Valcárcel, do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral. “A viagem não terminou, simplesmente mudou. Já não é a viagem de quilômetros, é a viagem da espera”, expressou.

A partir de experiências desenvolvidas no México, Camboja e França, Valcárcel identificou três verbos que, em sua opinião, podem orientar a ação pastoral: “permanecer, reconstruir e pertencer”. No México, explicou, muitas pessoas migrantes passam meses em um “limbo jurídico” e humano que dificulta projetar seu futuro.

“Antes de começar um projeto é preciso ouvir”, apontou Valcárcel, ao advertir que a pessoa migrante não pode ser reduzida a um expediente. A escuta permite reconhecer “uma profissão, uma história, uma família, uma cultura, uma fé, capacidades e sonhos”.

A experiência de Battambang, no Camboja, propõe uma pastoral que não se detém na acolhida inicial, mas que acompanha as pessoas até recuperar autonomia, meios de vida e capacidade para reconstruir seu projeto de vida.


A defesa de direitos precisa de alianças

Desde sua experiência no Panamá, Álvaro Botero, consultor e pesquisador da American University, Estados Unidos, mostrou como a articulação entre advogados, sociedade civil e Igreja permitiu ativar mecanismos de proteção e empreender ações em defesa de pessoas solicitantes de asilo.

Botero destacou que a Igreja contribuiu muito mais do que assistência humanitária: criou as condições necessárias para documentar os fatos e avançar nas ações legais. “O trabalho legal que acabei de descrever não teria ocorrido sem o apoio da Igreja”, apontou.

Para Botero, essas condições foram fundamentais para a defesa jurídica: “Não se pode construir confiança que exige uma entrevista com alguém que ainda está em modo de sobrevivência”.

“A presença vem antes dos papéis”, sublinhou. E sintetizou: “No Panamá, o direito colocou os mecanismos, mas a Igreja colocou o solo sobre o qual as pessoas puderam se sustentar enquanto se buscava justiça para elas”.


Integrar para prevenir a exploração

Por sua parte, Alessandra Santopadre destacou a integração como um componente essencial da proteção das pessoas migrantes. “A integração não é um luxo que chega depois da emergência. É o que transforma a acolhida em uma dignidade sustentada no tempo”, afirmou a representante do Escritório de Comunidades Culturais e Rituais da arquidiocese de Montreal.

O modelo pastoral de Montreal aposta em uma presença próxima e territorial, alianças com organizações especializadas, acompanhamento na língua materna e formação de agentes pastorais, sem deixar de lado a incidência política para enfrentar as causas da exploração.

A prevenção do tráfico e da exploração começa também por romper o isolamento, sustentou Santopadre. Sua proposta para as dioceses e paróquias inclui aproveitar as redes já existentes, concentrar esforços onde existem maiores riscos e formar agentes pastorais capazes de detectar precocemente essas situações.

Santopadre encerrou sua intervenção reivindicando um olhar integral sobre a atenção às pessoas migrantes. A partir dos quatro verbos do papa Francisco —acolher, proteger, promover e integrar— sustentou que proteção e integração devem avançar juntas: “São o mesmo movimento”.





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